Monday, December 10 2007

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Key 1

Advisory Committee

Javier Alonso Espinosa
Mexico

Lucia Alonso Espinosa
Mexico

Manuel Arango
Mexico

Gastón Azcarraga
Mexico

Alejandro Bailleres
Mexico

Pedro Nicolas Baridon
Uruguay

Arturo Brillembourg and Hilda Ochoa-Brillembourg
United States

Roberto P. Cezar de Andrade
Brazil

Gustavo A. and Patricia Phelps de Cisneros
Venezuela
John H. Coatsworth
United States

Eduardo F. Costantini
Argentina

Tony Custer
Peru

John Davies
United States

Peggy Dulany
United States

Agustin E. Edwards
Chile

Juan C. and Mary S. Enriquez
United States

Dionisio Garza Medina
Mexico

Jaime and Raquel Gilinski
Colombia

Roberto Hernandez Ramirez
Mexico
Marleen Hess
United States
Israel Klabin
Brazil
Wolff Klabin
Brazil

Amalia Lacroze de Fortabat
Argentina

George W. Landau
United States

Peter Lehner
United States

Philip Lehner
United States

Jorge Paulo Lemann
Brazil

Andronico Luksic
Chile

Antonio Madero
Mexico

Eugenio Madero
Mexico

Martha T. Muse
United States

Brian O'Neill
United States

Ricardo Poma
El Salvador

Pablo A. and Luisa E. Pulido
Venezuela

Lauren Reiss
United States

David Rockefeller
United States

Alvaro Rodriguez Arregui
Mexico

Neil L. Rudenstine
United States

Orlando Sacasa
United States

Alejandro Santo Domingo
Colombia

Julio Mario Santo Domingo
Colombia

Francisco de Sola
El Salvador

Francisco Soler
El Salvador

Lorenzo D. Weisman
United States

Key 1

Vitória?

Por: KENNETH MAXWELL

Folha de S. Paulo - Opinião - pág. A2

São Paulo, quinta-feira, 10 de julho de 2008.  

EM 2 DE JULHO, as Forças Armadas da Colômbia executaram o resgate perfeito. Hollywood não poderia ter inventado missão mais espetacular. Sem disparar um tiro ou causar qualquer morte, 15 reféns que haviam passado mais de meia década aprisionados, entre os quais Ingrid Betancourt e três norte-americanos, foram retirados da selva debaixo do nariz das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) e puderam voltar para suas famílias.

Esse resgate dos seqüestrados representou uma imensa vitória para o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Seu índice de aprovação atingiu os 91% nesta semana.

Nos últimos anos os analistas têm dito que a América Latina estava se inclinando à esquerda. Hugo Chávez atraía todas as atenções. Mas com Uribe na Colômbia e Felipe Calderón no México, o que está emergindo de fato é uma nova direita democrática. Faltava à América Latina uma alternativa conservadora viável e confiável, livre das tentações autoritárias do passado e disposta a trabalhar sem constrangimento com os Estados Unidos para a defesa de interesses comuns. A Colômbia, e agora o México, evidentemente foram recompensados no plano material, com infusões maciças de assistência bancada pelos contribuintes norte-americanos. E a capacidade das Forças Armadas colombianas sem dúvida se beneficiou dessa generosidade de Washington.

Há um porém. A assistência norte-americana à Colômbia e ao México está condicionada a uma redução na produção de narcóticos: sufocar a oferta. Mas o comércio de cocaína floresce como nunca. Seus tentáculos, rotas internacionais e operações de lavagem de dinheiro se expandiram dramaticamente no Brasil e na África Ocidental. A estimativa é que cerca de 300 toneladas de cocaína passem pelo México para chegar aos Estados Unidos, a cada ano, e o valor dessas drogas do outro lado da fronteira é estimado em US$ 25 bilhões. As cidades fronteiriças do norte do México se tornaram zonas de combate para as gangues de traficantes de drogas.

Em última análise, o comércio de drogas é uma questão de demanda, e os Estados Unidos continuam a ser um mercado insaciável. Mas a "guerra contra as drogas" foi terceirizada para a América Latina de maneira tão efetiva que nem mesmo faz parte das perguntas apresentadas aos eleitores nas pesquisas de opinião para o pleito deste ano nos EUA. A derrota das Farc não é a mesma coisa que uma vitória sobre o narcotráfico. Ninguém parece ter percebido que o helicóptero que conduziu Ingrid Betancourt e os demais cativos à liberdade pousou em um campo de coca.

KENNETH MAXWELL escreve às quintas na Folha de São Paulo. Folha Opinião

Tradução de PAULO MIGLIACCI


 

Key 1

De volta para o futuro

Por: KENNETH MAXWELL

Folha de S. Paulo - Opinião - pág. A2

São Paulo, quinta-feira, 03 de julho de 2008.

AS RESERVAS de petróleo iraquianas estão estimadas em 115 bilhões de barris. Recursos dessa ordem fazem das reservas iraquianas as terceiras maiores do mundo. Nesta semana, cada um desses barris estava cotado acima dos US$ 140 no mercado internacional. Além disso, as reservas iraquianas de gás natural são avaliadas em mais de 3,17 trilhões de metros cúbicos.

A Mesopotâmia tem um longo passado. Mas, no moderno Iraque, é o petróleo que ocupa a posição central. Os limites territoriais do país, delineados nos anos 20 do século passado, após o colapso do Império Otomano, foram traçados pelas grandes empresas petrolíferas ocidentais, que negociavam a divisão dos recursos petroleiros iraquianos.

De fato, foi um lápis empunhado por um notável empresário e agenciador político, o armênio Calouste Sarkis Gulbenkian, que em 1928 traçou a famosa "linha vermelha" no mapa do Oriente Médio, que criou uma divisão geográfica aceitável para as grandes empresas de petróleo ocidentais e os governos de seus países.

Em 1929, a velha Turkish Petroleum Company teve seu nome alterado para Iraq Petroleum Company (IPC). Até a nacionalização da IPC por Saddam Hussein, no começo dos anos 70, o acordo intermediado por Gulbenkian foi preservado. Havia quatro sócios "maiores" entre as grandes empresas de petróleo: British Petroleum, Royal Dutch Shell, Compagnie Française des Pétroles e o grupo norte-americano Esso Mobil. Cada uma dessas companhias tinha uma participação de 23,75% na IPC. Gulbenkian era o único sócio "menor" -e reteve 5%. Foi por conta dessa porcentagem na IPC que Gulbenkian -que ficou imensamente rico com o acordo- se tornou conhecido como "Senhor 5%".

Nesta semana, quatro grandes empresas de petróleo ocidentais -Exxon Mobil, Shell, Total e BP- estão aparentemente a ponto de assinar contratos concedidos sem licitação pelo governo iraquiano, com o objetivo de explorar os recursos petrolíferos do país. O "New York Times" afirma que uma equipe do Departamento de Estado norte-americano ajudou a preparar os contratos.

Quando, depois da invasão do Iraque em 2003, saqueadores atacaram e despojaram o museu e a biblioteca nacionais do Iraque, que abrigavam os mais preciosos artefatos das mais antigas civilizações do planeta, as tropas norte-americanas não interferiram. Só estavam autorizadas a intervir para proteger o Ministério do Petróleo iraquiano, o ministério que nesta semana vai conceder contratos às mesmas empresas petrolíferas multinacionais que administraram a Iraq Petroleum Company entre 1928 e 1972. A única coisa que falta são os 5% de Gulbenkian.

KENNETH MAXWELL escreve às quintas na Folha de São Paulo. Folha Opinião

Tradução de PAULO MIGLIACCI